Estes “poluentes” manifestam-se especificamente nos relacionamentos através da paixão, luxúria e auto-piedade. Vamos examinar bem atentamente estes três aspectos.
- Paixão
Muitos de nós temos dificuldade em ver a paixão como algo potencialmente perigoso. Mas precisamos examiná-la atentamente porque, quando analisamos atentamente, a paixão pode ser uma reação pecaminosa à atração. Sempre que permitimos que alguém roube o lugar de Deus como foco de nossa afeição, passamos de uma mera apreciação da beleza ou personalidade de alguém para o perigoso âmbito da paixão. Ao invés de fazer Deus o objetivo de nosso querer, erroneamente dirigimos nossos sentimentos a outro humano. Nos tornamos idólatras, nos prostrando perante alguém além de Deus, desejando que esta pessoa satisfaça nossas necessidades e nos traga realização.
Deus tem ciúme de nossos corações; afinal, ele nos criou e nos redimiu. Ele quer que nós concentremos nossos pensamentos, desejos e querer Nele. Ele amorosamente nos abençoa com relacionamentos humanos, mas primeiro nos convoca a achar o prazer de nossos corações Nele. Além de desviar nossa atenção de Deus, a paixão pode nos causar problemas porque ela é muito frequentemente fundamentada na ilusão
Para quebrar este padrão de paixão, devemos rejeitar a noção de que um relacionamento humano pode nos satisfazer completamente. Quando nosso coração escorrega para o mundo da fantasia da paixão, devemos orar, “Senhor, ajude-me a apreciar esta pessoa sem a elevar acima do Senhor em meu coração. Ajude-me a lembrar que nenhum humano poderá jamais tomar o Seu lugar em minha vida. Traga-me de volta à realidade, Deus; ‘dá-me um coração inteiramente fiel’ (Sl 86:11).”
- Luxúria
A segunda prisão que geralmente ameaça a pureza de nossos corações é a luxúria. Sentir luxúria é desejar algo sexualmente a que Deus nos proibiu.
O desejo sexual dentro do casamento é uma expressão natural e adequada da sexualidade; afinal, Deus nos deu impulsos sexuais. Mas Deus também nos Deus mandamentos específicos proibindo que nos entreguemos aos desejos antes do casamento.
Para combater a luxúria em nossas vidas, temos de detestá-la com a mesma intensidade com que Deus a detesta.
Deus afirma que quando eu olho para uma pessoa com desejo, seja na rua, num outdoor ou filme, estou na realidade cometendo adultério com ela em meu coração (Mt 5:28). Isto é muito sério!
Devemos buscar remover por completo a luxúria de nossas mentes. Devemos orar, “Cria em mim um coração puro, ó Deus.” (SI 51:10) Ajuda-me a ser como Jó, que fez um acordo com seus olhos para não cobiçar as pessoas (Jó 31:1). Perdoa-me por nutrir a luxúria em minha vida; ajuda-me a evitá-la fielmente. “Que a meditação de meu coração seja agradável a Ti, ó Senhor (SI 19:14).”
- Auto-Piedade
O poluente final de nossos corações é a auto-piedade. Um dos sentidos de piedade é a adoração às nossas circunstâncias. Quando sentimos pena de nós mesmos, tiramos o foco de Deus - de Sua bondade, justiça e habilidade de nos salvar em qualquer circunstância. Quando damos as costas para Deus, nos apartamos de nossa única fonte de esperança.
Permitimos muito facilmente a auto-piedade se infiltrar em nosso coração. Quando nos sentimos sozinhos e desejamos alguém para amar e para nos amar, parece que temos toda a razão do mundo para reclamar, murmurar porque recebemos algo imprestável.
Mas será que temos razão para reclamar quando pensamos na Cruz?
A auto-piedade é uma resposta pecaminosa aos sentimentos de solidão. Não pecamos quando nos sentimos solitários ou admitimos nosso desejo por uma companhia, mas pecamos quando usamos estes sentimentos como uma desculpa para darmos as costas a Deus e exaltar nossas próprias necessidades.
Você geralmente se pega concentrando em seu próprio triste estado e não confia em que Deus fará o que é melhor para você? Em caso afirmativo, talvez você precise avaliar honestamente sua tendência à auto-piedade. Primeiro, pare de basear sua felicidade na comparação entre você e os outros. Não caia no jogo da comparação. Muitas pessoas desperdiçam suas vidas buscando coisas que não querem de verdade simplesmente porque não suportam a idéia dos outros terem o que elas não têm. Pergunte-se: “Está realmente faltando algo em minha vida, ou estou simplesmente cobiçando o que alguém tem?”
Em seguida, quando sentir aqueles antigos sentimentos de auto-piedade emergindo, os redirecione para a compaixão pelos outros. Veja ao seu redor e procure alguém que compartilhe seus sentimentos de solidão e tente confortar aquela pessoa. Tire o foco de suas necessidades e ajude a satisfazer a necessidade dos outros.
Finalmente, aprenda a usar os sentimentos de solidão como uma oportunidade para se aproximar de Deus. Uma garota nos seus vinte anos que se casou recentemente me contou que via a solidão como o chamado de Deus para seu coração. “Quando me sentia solitária, eu pensava: Deus está me chamando de volta para Ele,” ela me disse. Nestas horas ela aprendeu a derramar seu coração para Deus e conversar com Ele. Hoje ela não troca esses momentos de intimidade por nada neste mundo.
Partes retiradas do livro : Eu disse adeus ao namoro, autor Joshua Horris
